Augusto Cury: Crescimento de candidato de “Direita Não Bolsonarista” era previsível!

Augusto Cury: Crescimento de candidato de “Direita Não Bolsonarista” era previsível! - Marcos Doniseti!

Lula reuniu milhares de pessoas em ato de campanha em Belo Horizonte. 

Encontrei um relatório completo de uma pesquisa Quaest, realizada em setembro de 2025, que mostra resultados que ajudam muito a explicar essa ascensão de Augusto Cury, que foi mostrada em duas pesquisas divulgadas hoje (AtlasIntel e BTG-Nexus).

Essa pesquisa Quaest mostrou alguns resultados importantes:

Lula deveria ser candidato?
Sim: 39%; Não: 59%.

Lulistas: Sim: 92%; Esquerda Não Lulista: 72%.

Bolsonaro deveria ser candidato?
Sim: 19%; Não: 76%.

Bolsonaro deve apoiar outro candidato?

Bolsonarista: 46%; Direita Não Bolsonarista: 74%.

Tem mais medo de:
Lula: 41%; Bolsonaro: 49%.

Potencial de voto:
Lula: 46%.

Então, nota-se o desejo de uma grande parte da população de encontrar uma “terceira via”, fora do lulismo e do bolsonarismo. 

Lula tem, agora, na mais recente pesquisa Quaest (10 a 14 de Agosto de 2026), índice de intenção de voto de 38%, contra 39% dos que desejavam, em setembro de 2025, que Lula fosse candidato à reeleição.

Em setembro de 2025, entre os eleitores de Esquerda lulista, 92% queriam Lula candidato à reeleição. Entre o eleitorado de Esquerda não lulista, esse índice era de 72%.

Logo, fica claro que não existe, desde 2025, espaço para uma candidatura viável de Esquerda não lulista. 

Isso explica porque as candidaturas de UP, PCB, PSTU e PCO quase não pontuam nas pesquisas para essa eleição presidencial. Os quatro, somados, tem apenas 1% na pesquisa Quaest de agosto de 2026. 

Mas, no campo da oposição, havia um buraco gigantesco, pois até entre os bolsonaristas havia o desejo de que Jair Bolsonaro não fosse o candidato. Oras, se o próprio líder do Bolsonarismo estava tão desgastado, é evidente que a candidatura de qualquer membro da família Bolsonaro era uma péssima ideia. 

Entre os bolsonaristas existiam, em setembro de 2025, 54% de eleitores querendo outro candidato. Já entre a Direita não bolsonarista esse índice chegava a espantosos 74%.

Logo, estava claro, na pesquisa Quaest de setembro de 2025, que havia um espaço muito grande para o lançamento de uma candidatura de Direita que não fosse bolsonarista. Mas, então, porque não apareceu esse candidato? Porque os candidatos que se destacaram no início da campanha não atraíram esse eleitorado.

Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (Missão) fracassaram, por diferentes motivos, em conquistar esse eleitorado de Direita que não desejava uma candidatura presidencial da família Bolsonaro.

Caiado parece que sempre fala para os grandes ruralistas e revela-se incapaz de expandir o seu discurso, para incluir novos segmentos. Kassab, principal líder do PSD, claramente escolheu o candidato errado. Caiado é tão antigo na política eleitoral quanto Lula, tendo sido candidato a presidente em 1989. 

Romeu Zema é um candidato de perfil elitista e é muito fraco, com um discurso extremamente pobre, mal sabendo o que fala. Seu discurso de ‘privatizar tudo’ também está na contramão de tudo o que está acontecendo no mundo, em especial nos EUA, onde o governo de Trump influencia cada vez mais as decisões de investimento.

 

O governo Trump chega a interferir nas compras e aquisições de corporações de mídia (Paramount comprando a Warner) e de franquias esportivas (compra do L.A. Lakers). Trump está promovendo políticas imperialistas que atualizaram a chamada "Doutrina Monroe". Seu governo diz, claramente, que a América Latina é quintal dos EUA e ponto final. As vitórias de candidatos de Extrema Direita na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Paraguai comprovam isso. Defender o enfraquecimento do Estado Nacional, nessas circunstâncias, é transformar o Brasil em um país fantoche dos EUA.

E fazer discurso de ‘privatizar tudo’ em um país onde muitas privatizações fracassaram ou deram resultados ruins para a população (vide ENEL, Sabesp, Petrobras Distribuidores, Refinarias) é algo que soa incompreensível para quem deseja se eleger presidente.

Renan Santos (Missão), por sua vez, faz um discurso de Extrema Direita voltado para jovens de elite frustrados e ressentidos com o avanço dos direitos dos trabalhadores e das mulheres. Muitos dos seus apoiadores são, claramente, elitistas, machistas e misóginos. Ele parece estar em campanha visando eleger alguns deputados federais, para o seu partido passar a ter direito aos recursos do fundo partidário, e procurando tornar seu nome conhecido visando a eleição de 2030.

Neste cenário desértico, para a direita não bolsonarista e bolsonarista, que desejavam um candidato à presidente que não fosse ligado à família Bolsonaro, é que a candidatura de Augusto Cury (AVANTE) cresceu rapidamente.

Isso aconteceu depois que o seu nome se tornou mais conhecido nacionalmente, o que ocorreu após o debate na Band e de uma forte campanha impulsionada nas redes sociais, com milhões de perfis dizendo que iriam votar em Cury. A entrevista no "Jornal Nacional", em 29/08, também ajudou a tornar o seu nome mais conhecido no país. 

Assim, Augusto Cury já está tirando votos de outros candidatos, de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, principalmente, ou seja, de quem desejava, já em setembro de 2025, um nome direitista não ligado à família Bolsonaro. Ele também deve estar captando votos de eleitores que iriam votar branco, nulo e que estavam indecisos. 

Entendo que há um limite para a ascensão de Augusto Cury, pois Flávio Bolsonaro tem, claramente, um patamar mínimo de votos, em torno de 30%, e Lula deverá manter os 38% a 40% de sempre.

Mas, se o Augusto Cury continuar forte nas pesquisas, então a principal consequência de seu crescimento, será o de levar a eleição para o segundo turno. Isso irá acontecer, principalmente, se Augusto Cury levar eleitores que não iriam votar em ninguém (branco, nulo e indeciso) a cravar o seu voto na urna.

Com isso, Lula dificilmente conquistará a vitória no primeiro turno e o segundo turno será disputado, com certeza, contra Flávio Bolsonaro. 

Texto escrito com base nos dados das pesquisas Quaest de setembro de 2025 e agosto de 2026: 

Pesquisa Quaest – 12 a 14 de setembro de 2025 (Presencial; 2.004 entrevistas; margem de erro 2 p.p.).

Pesquisa Quaest - 10 a 13 de agosto de 2026 (Presencial; 2.004 entrevistas; margem de erro 2 p.p.).

Links:

Pesquisa AtlasIntel mostra crescimento de Augusto Cury: 

https://exame.com/brasil/pesquisa-atlasintel-lula-lidera-com-434-flavio-tem-337-e-cury-e-renan-empatam-na-3a-posicao/

 


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